Durante essas
postagens, encaramos a segurança alimentar tanto no aspecto de acesso aos
alimentos, sendo estes alimentos saudáveis e nutricionalmente completos, quanto
no aspecto da qualidade desses alimentos, envolvendo todo o processo até que
ele chegue à mesa, especialmente a vigilância sanitária destes (através de
órgãos fiscalizadores como a Anvisa).
Vimos que o quadro de
obesidade vem abrangendo cada vez mais uma parcela maior da população, e que tal
quadro é uma evidência de insegurança alimentar, não por problema de acesso aos
alimentos, mas pela não opção de alimentos saudáveis e nutritivos em detrimento
dos industrializados ricos em lipídios e carboidratos.
Entretanto é a fome a
manifestação mais dramática do estado de miséria, pobreza absoluta e, consequentemente,
insegurança alimentar, que contingentes não desprezíveis da
população brasileira estão submetidos. Diferentemente de outros países,
todavia, a fome no Brasil não é consequência da incapacidade de produzir
alimentos em virtude de dificuldades impostas por condições climáticas ou
catástrofes naturais. Ela decorre de fatores de ordem estrutural, da escolha de
um determinado perfil de desenvolvimento que distribui de forma extremamente
desigual tanto a riqueza gerada quanto os fatores de produção necessários à
viabilização dos processos econômicos. Se a fome no meio urbano é resultado,
sobretudo, das dificuldades de acesso ao emprego e aos baixos salários, no meio
rural pode ser atribuída, fundamentalmente, às precárias condições de
reprodução dos pequenos agricultores.
O objetivo de que todos
os homens e mulheres tenham assegurado o direito elementar de estar alimentado
e protegido contra a fome abarca não apenas a questão de garantir o acesso aos
alimentos aos consumidores, mas também de definir e operacionalizar políticas
públicas direcionadas a assegurar a autossuficiência produtiva do país, isto é,
o pleno abastecimento daqueles produtos agrícolas considerados estratégicos
para contemplar as necessidades alimentares da população. Um enfoque abrangente
e adequado de uma política de segurança alimentar deve enquadrar tanto aqueles
segmentos sociais que passam fome (público-alvo do Programa Fome Zero e Bolsa
Família, do governo de Luiz Inácio Lula da Silva), quanto aqueles responsáveis
pela produção e oferta de alimentos – os agricultores. Portanto, mais do que
intervenções compensatórias ou assistencialistas,
trata-se de conferir à questão agroalimentar, especialmente através da
agricultura familiar, a importância que merece, conceitualizando-a como um
componente estratégico do perfil de desenvolvimento econômico-social que almejamos,
garantindo a segurança alimentar da população.
A agricultura familiar
demonstrou uma grande capacidade de adaptação e flexibilidade em relação a essa
inserção periférica nas estratégias de desenvolvimento do meio rural no Brasil.
Também não há dúvida de que a agricultura patronal mostrou nas últimas décadas
um acentuado dinamismo, notadamente no que diz respeito à capacidade de
aumentar continuamente sua participação nas exportações brasileiras e na
consolidação das chamadas "cadeias agroindustriais", indicando que
hoje já não mais podemos falar da clássica separação entre uma agricultura
familiar exclusivamente dedicada ao abastecimento do mercado interno e um setor
empresarial capitalista voltado à produção de mercadorias valorizadas pelo
mercado internacional.
A agricultura familiar
brasileira tem como uma de suas características a diversidade socioeconômica e
cultural. Nas regiões Sudeste e Sul do país consolidou-se um segmento de
agricultores plenamente modernizado, desenvolvendo sistemas de produção
altamente tecnizados e intimamente articulados às agroindústrias processadoras
de produtos agrícolas. Nas regiões Centro-Oeste, Norte e, principalmente,
Nordeste, por sua vez, a agricultura familiar enfrenta as dificuldades de um
processo histórico de configuração do espaço agrário sob domínio da grande
propriedade; nessas regiões, normalmente associa-se agricultura familiar com
unidades de baixa produção, precário desenvolvimento tecnológico e fraca
capacidade de geração de renda. Isto indica que,
paradoxalmente, muitos agricultores do Nordeste brasileiro são potenciais
beneficiários dos programas emergenciais de combate à fome.
A capacidade dos
agricultores familiares de reconfigurar seus sistemas produtivos e de
estabelecer objetivos adaptados aos mais diferentes ambientes socioeconômicos é
realçada por sua marcante participação na produção agropecuária nacional. Ainda
que marginalizados do acesso à terra (os estabelecimentos rurais de tipo
familiar perfazem um total de 4.139.369 – 85,5% do total de estabelecimentos
rurais – e ocupam, segundo dados do Censo Agropecuário de 1995-96, 353,6
milhões de hectares, ou seja, tão-somente 30,5% da área total) e ao crédito
agrícola (absorvem apenas 25,3% do financiamento total destinado à
agricultura), os agricultores familiares dão uma contrapartida à relativamente
muito superior produção nacional, pois são responsáveis por 37,9% do valor
bruto da produção agrícola brasileira. Na região Sul, onde, pelo seu processo
histórico de formação e desenvolvimento, a agricultura familiar se insere num
ambiente socioeconômico mais favorável, os agricultores familiares respondem
por 90,5% dos estabelecimentos da região, ocupam 43,8% da área e produzem 57%
do valor bruto da produção.
A importância da
agricultura familiar não se restringe a produtos destinados ao abastecimento do
mercado interno, como certas perspectivas dualistas costumam afirmar. Mesmo
naqueles produtos tradicionalmente vinculados à exportação e/ou processamento
agroindustrial, como soja, laranja e carne bovina, os agricultores familiares
têm uma sensível contribuição; mas é, sobretudo, na produção daqueles produtos
que compõem a dieta alimentar básica da população brasileira que sua presença é
mais ressaltada.
Esses dados, portanto,
apontam que o fortalecimento da agricultura familiar pode efetivamente
constituir-se numa das principais estratégias de efetivação de uma política de
segurança alimentar no Brasil e promovendo também a saúde dessa população, possibilitando tanto o incremento da produção
agrícola nacional, como também a reprodução social e econômica de um
contingente significativo de trabalhadores rurais, que, mesmo vivendo sob
condições de pobreza e miséria no campo, ainda resistem à estratégia sempre
possível da migração para os grandes centros metropolitanos em busca de
melhores oportunidades de vida.


A agricultura familiar tem se mostrado muito importante, tanto para os agricultores como para aquelas pessoas que estão em situação de insegurança alimentar. O setor agropecuário familiar é sempre lembrado por sua importância na absorção de emprego e na produção de alimentos, especialmente voltada para o autoconsumo. Em alguns produtos básicos da dieta do brasileiro, como o feijão, arroz, milho, hortaliças, mandioca e pequenos animais, chega a ser responsável por 60% da produção. Constituída por pequenos e médios produtores, a chamada agricultura familiar representa a imensa maioria de produtores rurais do Brasil – são cerca de 4,5 milhões estabelecimentos, dos quais 50% só no Nordeste. Cabe ainda destacá-la como fator redutor do êxodo rural.
ResponderExcluirFonte:http://www.vidanocampoonline.com/index.php/agricultura-familiar/2311-a-importancia-da-agricultura-familiar-no-brasil-
O quadro da insegurança alimentar, ao contrário do que a maioria da pessoas pensa, não é somente representado pela fome, mas também por uma má alimentação, onde alimentos industrializados ricos em carboidratos e lipídeos ( cujo excesso contribui para o desenvolvimento de doenças crônicas, como diabetes e problemas cardiovasculares) são valorizados em detrimento de alimentos saudáveis naturais, como frutas e vegetais, ricos em proteínas e vitaminas. Tendo isso em mente, é importante tomar medidas de combate à insegurança alimentar no país, que atuem não somente na redução da fome, mas também na promoção de hábitos alimentares saudáveis. Além disso, é importante valorizar a agricultura familiar no país, pois ela é responsável por quase 40% do produto bruto da agricultura do país, sendo que contribui não somente para o mercado interno, mas também para as exportações. Assim, fortalecer esse tipo de agricultura no país pode ser uma solução para o problema da insegurança alimentar.
ResponderExcluirA segurança alimentar deveria ser algo almejado por todos os indivíduos, pois representa a obtenção de alimentos saudáveis, na quantidade certa para suprir as demandas do organismo, garantindo assim os substratos responsáveis por acionar e/ou inibir determinadas vias metabólicas.
ResponderExcluirNos tempos mais remotos, quando cessou o nomadismo, a agricultura familiar era responsável por manter grande parte dos indivíduos e ainda supriam demandas externas que possibilitam estocar para períodos de recessão, ou desastres naturais como secas e enchentes.
Atualmente, a agricultura familiar não supri totalmente esta demanda pela competição que nasceu com as grandes produções indústrias. Diante disto, o governo tentar incentivar cada vez mais a agricultura familiar, através de Projeto e Programas como o "Programa de Agroindustrializaçao da Agricultura Familiar", que visa melhorar o fluxo de produção da agricultura familiar através de técnicas, recomendações, cursos e industrialização de métodos, maximizando a produção.
Por fim, é notório que seja através da agricultura familiar ou através de grandes indústrias alimentícias, todo cidadão tem direito à alimentação digna, que lhe proporcione os substratos necessários para desempenhar suas atividades básicas, e o governo tenta assegurar isto de diversas maneiras, seja através de incentivos à produção, restaurantes populares ou benefícios de transferência de renda, embora saibamos que os esforços elencados devem ser bem maiores e eficazes.
PARABÉNS pelo excelente blog e pela enorme contribuição na construção do conhecimento, objetivando formar profissionais capazes de dialogar acerca de temas cotidianos, com linguagem acessível, sem perder o fundamento bioquímico.
FONTE:
Programa de Agroindustrializaçao da Agricultura Familiar. Disponivel em
http://www.ctaa.embrapa.br/upload/publicacao/manual_boas_praticas.pdf Acesso 11 Dez 2014
Além do êxodo rural provocado pela expropriação de pequenos agricultores marginalizados pelas políticas de crédito do Estado e pela intensiva tecnicização dos processos produtivos, a "modernização conservadora" estimulou fortemente a concentração fundiária, decorrente, sobretudo, da apropriação das regiões de fronteira agrícola por grandes empresários interessados na especulação fundiária. Ou seja, o modelo de desenvolvimento agrícola eleito não só não implicou a efetivação da reforma agrária, como acentuou ainda mais a já injusta distribuição da propriedade da terra no Brasil. A generalização de relações de trabalho de cunho temporário (o "bóia-fria") ajudava a compor um cenário que mostra o agravamento da pobreza e da miséria no meio rural brasileiro.
ResponderExcluirEm que pese essa desconsideração de políticas de segurança alimentar que almejassem assegurar, em primeiro plano, a auto-suficiência alimentar do país, a agricultura familiar demonstrou uma grande capacidade de adaptação e flexibilidade em relação a essa inserção periférica nas estratégias de desenvolvimento do meio rural no Brasil.
A agricultura familiar brasileira tem como uma de suas características a diversidade socioeconômica e cultural. Nas regiões Sudeste e Sul do país consolidou-se um segmento de agricultores plenamente modernizado, desenvolvendo sistemas de produção altamente tecnicizados e intimamente articulados às agroindústrias processadoras de produtos agrícolas. Nas regiões Centro-Oeste, Norte e, principalmente, Nordeste, por sua vez, a agricultura familiar enfrenta as dificuldades de um processo histórico de configuração do espaço agrário sob domínio da grande propriedade; nessas regiões, normalmente associa-se agricultura familiar com unidades de baixa produção, precário desenvolvimento tecnológico e fraca capacidade de geração de renda. Isto indica que, paradoxalmente, muitos agricultores do Nordeste brasileiro são potenciais beneficiários dos programas emergenciais de combate à fome.
A capacidade dos agricultores familiares de reconfigurar seus sistemas produtivos e de estabelecer objetivos adaptados aos mais diferentes ambientes socioeconômicos é realçada por sua marcante participação na produção agropecuária nacional. Ainda que marginalizados do acesso à terra (os estabelecimentos rurais de tipo familiar perfazem um total de 4.139.369 – 85,5% do total de estabelecimentos rurais – e ocupam, segundo dados do Censo Agropecuário de 1995-96, 353,6 milhões de hectares, ou seja, tão-somente 30,5% da área total) e ao crédito agrícola (absorvem apenas 25,3% do financiamento total destinado à agricultura), os agricultores familiares dão uma contrapartida à relativamente muito superior, produção nacional, pois são responsáveis por 37,9% do valor bruto da produção agrícola brasileira.
Ora, o país tem observado, aos poucos, a importância de se resguardar sua produção interna e efetivar a segurança alimentar de seus produtores, da alavanca responsável por 35% de seu PIB. Garantir a capacidade de produzir, os meios e a sua produção é um dever do Estado, principalmente pelo fato de que essa variante socioeconômica influencia diretamente na saúde das populações.
A capacidade de garantir o sustento e saúde de sua população reflete-se em um país que cresce, e que busca a equidade de oportunidades.
Foi um prazer ter compartilhado vivências e conhecimento. Blog reflexivo, crítico de si e da contemporaneidade, o mínimo a ser dito é: muito obrigado! E que possamos ser médicos que, de fato, põem em prática o olhar cuidadoso acerca da garantia da segurança alimentar de nossos pacientes!
FONTE:
http://www.proec.ufg.br/revista_ufg/fome/seguranca.html
A agricultura familiar é o aporte maior que garante a alimentação na mesa da população brasileira, fugindo das garras da monocultura exportadora, a agricultura familiar garante na mesa uma alimentação rica e diversificada a um preço acessível, vegetais nutritivos, além disso esse ramo da agricultura expressa a maior parte dos campos agrícolas Os dados dos censos agrícolas nos ajudam a compreender que a realidade brasileira não é diferente daquela observada na maior parte dos países do mundo situados no mesmo compasso de desenvolvimento. Dados do Instituto Brasileiro de geografia e Estatística (IBGE) de 1996 mostravam que em universo de 5.175.489, as propriedades típicas de agricultura familiar somavam 4.367.902, enquanto a não familiar chegava ao total de 807.587. Registra-se, portanto, uma profunda desigualdade pois apesar de a agricultura familiar ter 84,4% do total de estabelecimentos, ocupa apenas 24,3% da área das propriedades agropecuárias do país (ou 80,25 milhões de hectares). É interessante observar que, mesmo ocupando apenas ¼ da área ocupada para produção agrícola, a agricultura familiar emprega sete de cada 10 pessoas ocupadas no campo, esses dados revelam que além de garantir o alimento esse tipo de agricultura é o grande empregador do campo.
ResponderExcluirReferências:
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/1871776/artigo-a-agricultura-familiar-brasileira-no-contexto-mundial