sábado, 29 de novembro de 2014

Os Trangênicos e a (In)segurança Alimentar



Os organismos transgênicos são aqueles cujo genoma foi modificado com o objetivo de atribuir-lhes nova característica ou alterar alguma característica já existente, através da inserção ou eliminação de um ou mais genes por técnicas de engenharia genética. Entre as principais características almejadas encontram-se o aumento do rendimento com melhoria da produtividade e da resistência a pragas, a doenças e a condições ambientais adversas; a melhoria das características agronômicas, permitindo uma melhor adaptação às exigências de mecanização; o aperfeiçoamento da qualidade; a maior adaptabilidade a condições climáticas desfavoráveis e a domesticação de novas espécies, conferindo-lhes utilidade e rentabilidade para o homem.
A liberação dos transgênicos no Brasil, particularmente aqueles com finalidade comercial, vem provocando intensa polêmica quanto a possíveis riscos à saúde e ao meio ambiente (como pode ser observado no Quadro 1). Tal polêmica, que envolve diversos atores, como cientistas, agricultores, ambientalistas e representantes do governo, refere-se ao nível de incerteza atribuído a esses alimentos diante da chamada segurança alimentar.
Nos estudos que abordam a segurança alimentar dos alimentos transgênicos, a análise é feita principalmente pela exposição de riscos e incertezas desses produtos, quanto a saúde e meio ambiente.
Com relação aos riscos para a saúde, preocupações relacionadas com os OGMs (Organismos Geneticamente Modificados) são o receio de uma possível resistência bacteriana aos antibióticos empregados na modificação genética, e o aumento das alergias alimentares às novas proteínas. Utilizam-se genes marcadores de resistência a antibióticos, cuja função é selecionar e confirmar se a alteração genética foi de fato realizada da maneira planejada. No entanto, discute-se que tais genes podem continuar a ser expressos nos tecidos da planta e, ao serem ingeridos através dos alimentos, reduziriam, no homem, a eficácia do antibiótico comumente administrado no combate a doenças. Argumenta-se também que esses genes de resistência poderiam ser transferidos a patógenos humanos ou animais, tornando nulo o efeito da aplicação de certos antibióticos. A crescente resistência de organismos aos antibióticos vem sendo avaliada como problema grave para a saúde pública.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e associações médicas americanas, entre outros, expressam preocupação de que se "os genes resistentes a antibióticos" usados em alimentos GM se transferissem para bactérias, poderiam resultar no aparecimento de superdoenças. Tal fato motivou a Associação Médica Britânica a declarar uma moratória para alimentos.
Além disso, a alergenicidade é um importante risco a ser analisado com o efeito dos alimentos trangênicos, considerando-se que os alergênicos alimentares são proteínas que podem ser oriundas de genes endógenos ou exógenos. Com o objetivo de avaliar o potencial de alergenicidade de proteínas transgênicas, a FAO estabeleceu inicialmente a comparação das estruturas da nova proteína com as de alergênicos já conhecidos, alinhando as sequências de aminoácidos em bases de dados. A seguir, caso a fonte do gene fosse confirmada como alergênica, deveria ser realizado um teste com soro de pacientes alérgicos a essa fonte.
Com relação aos riscos para o meio ambiente, destacam-se as transferências vertical (acasalamento sexual entre indivíduos da mesma espécie) e horizontal (DNA transferido de uma espécie para outra, aparentada ou não). No Brasil, região de grande variedade genética de sementes crioulas, esse tipo de risco configura grande desafio. Lewgoy (2000), analisou em sua obra “A voz dos cientistas críticos, História, Ciências, Saúde”, os riscos ambientais dos alimentos transgênicos e apontou a possibilidade de cruzamentos genéticos não esperados. Destaca falhas nos testes de toxicidade apresentados por uma empresa produtora de transgênicos à CTNBio (Coordenação-Geral da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança) e a falta de avaliação adequada dos riscos de toxicidade e alergias de seu produto, para obtenção da liberação comercial.
Já com relação ao mercado, a monopolização das sementes transgênicas pode proporcionar a diminuição da disponibilidade de alimentos, como destaca Spendeler (em sua obra “Organismos modificados geneticamente: una nueva amenaza para la seguridad alimentaria”) ao analisar a segurança alimentar dos produtos transgênicos, discutindo as incertezas, os riscos e a monopolização desses alimentos. Segundo a autora, todas as sementes transgênicas pertencem a um pequeno número de multinacionais, daí resultando a monopolização do mercado mundial desementes, com os agricultores cada vez mais dependentes dessas empresas. A autora afirma: "a segurança alimentar em termos de disponibilidade de alimentos está em jogo". Spendeler conclui seu estudo ressaltando a tendência à industrialização que tais cultivos proporcionam, desconsiderando as necessidades das comunidades locais e a biodiversidade agrícola. Tais aspectos constituem fatores importantes para atestar a insegurança alimentar desses produtos.
A principal conclusão refere-se à pequena produção científica sobre a segurança alimentar dos OGMs no campo da saúde pública, quando comparada aos demais estudos sobre os transgênicos. O escasso número de estudos sobre o tema evidencia que a polêmica sobre a adoção/incorporação desses alimentos justifica-se, entre outros elementos mencionados anteriormente, pela incerteza de seus efeitos sobre a saúde e o meio ambiente, como também pela ausência de dados experimentais.
Sendo assim, no cenário atual de incertezas sobre os possíveis efeitos dos alimentos transgênicos, a rotulagem é um mecanismo que possibilita ao consumidor decidir se aceita ou não consumir alimentos cujas propriedades não são ainda suficientemente conhecidas pela ciência. Além disso, é direito do consumidor ser informado de maneira adequada sobre a qualidade, quantidade e composição dos alimentos que pretende adquirir. A rotulagem permite, ainda, rastrear a origem do alimento, em casos de eventuais problemas. A questão da rotulagem precisa ser compreendida no âmbito da segurança alimentar. Sem rotulagem, é impossível fazer biovigilância, que é mecanismo de garantia de segurança alimentar.
Fonte: http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-59702009000300006&script=sci_arttext


5 comentários:

  1. O uso de transgênicos na agricultura sempre gera discussões acaloradas acerca desse assunto, até qual ponto os transgênicos se configuram num fator que possa realmente trazer um benefício sem consequências desastrosas, há personagens que defendam que há uma certa inofensividade das plantas modificadas, outros já apontam que elas podem vir a ser ou já são grandes vilões da agricultura mundial, sendo o agronegócio grande incentivador, procurando três pilares do ponto de vista dos críticos, promíscuos, a procura do lucro, a patente sobre um bem vegetal ( e que portanto deveria ser da humanidade) e a extinção de algumas espécies de plantas (bem difícil achar sementes de milho que não tenham um toque da modernidade), há ainda o potencial risco a saúde humana. Além disso existe o receio do aumento de domínio dos pequeno grupo que domina a tecnologia e o mercado de transgênicos, o que gera um certo monopólio, e consequente manipulação do mercado.

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  2. Há quem diga que os transgênicos irão acabar com a fome do mundo. Todavia, há ainda uma corrente crescente de pessoas que acreditam que há uma ideologia capitalista e de controle dos mais pobres, tendo em vista que se houver a expansão desse novo mercado, o controle por meio das companhias acerca da disponibilidade de sementes, por exemplo, se dará de forma favorável para um grupo seleto de pessoas, o que constribuiria com a formação de um quadro de insegurança alimentar.
    Segundo esta corrente, "é mentira que as sementes transgênicas vão aumentar a produção de alimentos e ‘matar a fome no mundo’, pois um pequeno e poderoso grupo vai ser dono das sementes, aumentando a dependência dos pobres e acabando com a diversidade das sementes. A semente transgênica possui o terminator, o que significa que ela é plantada uma só vez e depois morre. Além disso, fica proibida a venda das sementes adquiridas, a não ser que se pague para os ‘donos poderosos’".
    Ainda há uma questão problemática: o conhecimento ainda reduzido acerca dessas espécies transgênicas. O fato é que alguns OGMS já causaram distúrbios de saúde nas populações, como processos alérgicos em massa; aumento da resistência aos antibióticos, quer dizer, pode reduzir ou anular a eficácia dos remédios à base de antibióticos, o que é uma série ameaça à saúde pública; aumento das substâncias tóxicas: existem plantas e micróbios que possuem substâncias tóxicas para se defender de seus inimigos naturais, os insetos, por exemplo. Na maioria das vezes, não fazem mal ao ser humano. No entanto, se o gene de uma dessas plantas ou de um desses micróbios for utilizado em um alimento, é possível que o nível dessas toxinas escape do controle e cause mal a pessoas, a insetos benéficos e a outros animais. Isso já foi constatado com o milho transgênico Bt, que pode matar lagartas de uma espécie de borboleta, a borboleta monarca, que é o agente polinizador (que tem a importante função de fecundar os óvulos); desequilíbrio do meio-ambiente: ao colocar genes de resistência a agrotóxicos em certos produtos transgênicos, as pragas e as ervas-daninhas poderão desenvolver a mesma resistência, tornando-se superpragas. Isto vai exigir a aplicação de maiores quantidades de veneno nas plantações, resultando no aumento de resíduos nos alimentos que comemos, poluindo rios e solos, e prejudicando ainda mais o equilíbrio do meio-ambiente.
    Dessa forma, é imprescindível que haja um controle desses organismos por meio da ANVISA, desde sua produção até a sua distribuição ao consumidor, para que seja garantida não só alimentação para quem tem fome, mas a segurança de ingestão desses alimentos.

    FONTE:
    http://www.redemulher.org.br/seguran.html


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  3. O uso de transgênicos é de qualidade controversa. Há os que o defendem pela sua capacidade de produção e barateamento dos custos como diz o estudo feito pela Céleres para a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (ABRASEM) A redução dos custos de produção (menos aplicações de defensivos, menos uso de água e gastos menores com manejo e equipamentos) respondeu por 28% (US$ 6,9 bilhões), no período analisado, enquanto apenas 20% do total ficou com a indústria de sementes.
    Contudo não pode-se basear apenas por cifras e existem aqueles que levantam a bandeira de grãos não transgênicos: o uso de transgênicos representa um alto risco de perda de biodiversidade, tanto pelo aumento no uso de agroquímicos (que tem efeitos sobre a vida no solo e ao redor das lavouras), quanto pela contaminação de sementes naturais por transgênicas. Neste caso, um bom exemplo de alimento importante, que hoje se encontra em ameaça, é o nosso bom e tradicional arroz.
    Já a monopolização do mercado de sementes transgênicas - atualmente as mais usadas no Brasil- deixa os produtores a mercê da vontade dessas multinacionais. Os métodos agroecológicos citados no texto contrários aos transgênicos pode ser uma excelente alternativa na medida em que promovem o desenvolvimento sustentável e a preservação da biodiversidade.
    Fontes: http://www.greenpeace.org/brasil/transgenicos/
    http://www.abrasem.com.br/estudo-analisa-beneficios-dos-transgenicos-na-agricultura/

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  4. De fato, o uso ou não de alimentos transgênicos gera inúmeras discussões. Embora muitos defendam que as modificações genéticas tornam o alimento mais fácil de ser cultivado e mais nutritivo, muita pessoas também são contra a utilização destes por desconfiarem que estas mudanças genéticas possam trazer riscos à sua saúde, como possível resistência bacteriana aos antibióticos empregados na modificação genética, e o aumento das alergias alimentares às novas proteínas. Outro ponto contra os trangênicos é que apenas um pequeno número de empresas controla a sua produção, o que gera concorrência desleal com os pequenos agricultores. Devido ao escasso número de pesquisas relacionadas com a dúvida se os transgênicos fazem bem ou mal à saúde, sua aceitação muda de pessoa para pessoa e por isso é importante que venham em seus rótulos essa infirmação de que os alimentos são geneticamente modificados, permitindo as pessoas escolherem se querem consumi-lo ou não.

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  5. A ciência trouxe inúmeros benefícios, e sem dúvidas, uma vasta camada de duvidas e incertezas também paira no ar, pelo rol de incrementos que a ciência agrega nas mais diversas áreas. Com os transgênicos não é muito diferente. O preço que se paga por alimentos mais resistentes, com produção mais rápida, mais efetiva, menores custos, é algo que infelizmente não podemos mensurar pela pequena quantidade de conhecimento acerca desta realidade.
    Segundo a ONU, o Princípio da Precaução deveria ser respeitado e cumprindo, em que o mesmo alerta sobre o perigo de ameaças como o aumento da incidência de doenças, as contaminações de cultivos convencionais e de áreas de proteção ambiental, a expansão do uso de agrotóxicos e o controle monopolizado de sementes e técnicas de produção.
    O critério da equivalência substancial (princípio básico dos transgênicos) torna-se um grande aliado à corrente que defende incansavelmente a utilização de transgênicos, porém a utilização das técnicas transgênicas permite a alteração da bioquímica e do próprio balanço hormonal do organismo transgênico, possibilitando uma discussão abrasiva acerca dos componentes estruturais e nutricionais que os mesmos apresentam em sua composição.
    Como ocorre no melhoramento das plantas, pois o uso de transgenes vem sendo utilizadas também para alterar importantes características agronômicas das plantas: o valor nutricional, teor de óleo e até mesmo o fotoperíodo (número de horas mínimo que uma planta deve estar em contato com a luz para florescer).
    Diante dos argumentos expostos, não se sabe ao certo acerca do futuro dos organismo transgênicos, especialmente o resultantes do seu cruzamento, assim é de extrema importância mais pesquisas conclusivas e esclarecedoras a cerca do real custo-benefício que tais substâncias apresentam para o ser humano e o meio ambiente.

    FONTE:
    Transgênicos. Disponivel em http://ambientes.ambientebrasil.com.br/biotecnologia/artigos_de_biotecnologia/transgenicos.html Acesso 04 Dez 2014

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