O Bolsa Família é um programa que foi criado
no governo Lula (2003) e que consiste na
transferência direta de renda
que beneficia famílias em situação de
pobreza e de extrema pobreza em todo o país. Integra o Plano Brasil Sem
Miséria, que tem como foco de atuação os milhões de brasileiros com renda
familiar per capita inferior a R$ 77 mensais e está baseado na garantia de renda,
inclusão produtiva e no acesso aos
serviços públicos. Ele foi considerado um dos principais programas de combate à
pobreza do mundo, tendo sido nomeado como "um esquema anti-pobreza
originado na América
Latina que está ganhando adeptos mundo afora"
pela britânica The Economist.
As principais repercussões do Programa Bolsa
Família na alimentação da família referem-se à maior estabilidade no acesso, ao
aumento na quantidade e na variedade de alimentos, bem como no consumo de
alimentos de preferência das crianças. Tais mudanças, apesar de positivas,
devem ser observadas com cautela. Se, por um lado, o Programa Bolsa Família
possibilitou maior consumo de importantes fontes de proteína, como o leite e
seus derivados e as carnes, além do maior consumo de cereais, feijões e, em
menor proporção, de frutas, legumes e verduras, por outro lado, também aumentou
o consumo de alimentos com alta densidade de energia e baixo valor nutritivo,
como os biscoitos, as gorduras e os açucares, que prevalecem na decisão de consumo dessas
famílias, seja pelo melhor custo-caloria dos produtos, que possibilitam a
realização de atividades diárias que exigem energia, seja por fazerem parte dos
perfis de consumo socialmente compartilhados e fortemente estimulados pelos meios
de comunicação.
Cabe
ressaltar que a alimentação, além de ser uma prioridade nos gastos familiares e no uso dos recursos
do programa, representa um percentual expressivo da renda total da família,
percentual que é tanto maior quanto menor a renda familiar. Portanto, a
possibilidade do programa impactar favoravelmente esse perfil de gastos e
reduzir o peso da alimentação no orçamento doméstico é particularmente
importante para as famílias mais pobres. É no Nordeste, e entre as famílias que apresentam as formas mais graves
de insegurança alimentar (moderada e grave), onde acontecem as maiores
modificações em todos os grupos de alimentos. Isso é especialmente relevante,
considerando que é justamente essa região que reúne o maior número de famílias
com alimentação insuficiente e monótona, que consomem menos alimentos de origem
animal e menos frutas e hortaliças.
Para
aquelas famílias que antes do programa não tinham nem mesmo a alimentação
básica garantida, o Bolsa Família possibilitou que passassem a comprar mais
alimentos considerados básicos, como o feijão (que contém mais
proteína do que qualquer outro alimento de fonte vegetal, sendo fonte de
vitaminas do complexo B, ferro, potássio, zinco e outros minerais essenciais) e
o arroz (rico
em vitaminas do complexo B, proteínas, ferro e amido, carboidrato que fornece
energia e contribui para a absorção de proteína). Esses dois
alimentos são básicos, porém de fundamental importância, já que os aminoácidos
deficientes no feijão, como o aminoácido essencial metionina, está presente no
arroz e os que estão ausentes neste, como a lisina, são justamente os que estão
presentes no feijão.
Essa
melhoria é o caso das famílias mais pobres e das que se
alimentavam, basicamente, da produção para o autoconsumo, que passaram a
comprar mais alimentos nos mercados. Para aquelas que já tinham a alimentação
básica “suprida”, ou seja, aquelas que são menos vulneráveis à insegurança
alimentar, o programa possibilitou aumento na aquisição de alimentos de demanda
reprimida considerados “complementares”, como frutas, verduras, legumes e
alimentos industrializados, outros considerados “supérfluos”, além da carne,
alimento valorizado e de difícil acesso.
Na área rural as famílias beneficiárias do Bolsa Família que se
dedicam à agricultura de subsistência combinam a condição de produtoras e
consumidoras de alimentos. Portanto, ao apoiar sua produção, há melhora
simultânea tanto no consumo alimentar da família quanto na oferta local de
alimentos. Nesse sentido, recomenda-se, ainda no âmbito das políticas de
segurança alimentar e nutricional, o reforço a programas de assistência
alimentar que possibilitem a oferta de produtos alimentares adequados e pouco
consumidos, como legumes, verduras, frutas e carnes, a preços mais baratos.
Para isso, são necessárias intervenções que promovam a aproximação de
produtores e consumidores, especialmente nas localidades onde há dificuldade de
acesso ou preços elevados, e também a criação de mercados institucionais,
articulando gastos públicos com alimentação (escolas, hospitais, presídios,
abrigos, creches etc.) e com o aumento da demanda junto aos pequenos produtores
locais, aos moldes do que já vem sendo implementado por meio do Programa de
Aquisição de Alimentos (PAA) do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate
à Fome, cuja capacidade de atendimento é, porém, muito aquém da demanda
apresentada.
Fontes:
IBASE: Relatório Bolsa Família 2008: http://www5.ensp.fiocruz.br/biblioteca/dados/txt_385317780.pdf
http://www.mds.gov.br/bolsafamilia
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