A
Revolução Verde foi um programa que surgiu na década de 70 com o propósito de
aumentar a produção agrícola através do desenvolvimento de pesquisas em
sementes, fertilização do solo e utilização de máquinas no campo que
aumentassem a produtividade. Isso se daria através do desenvolvimento de
sementes adequadas para tipos específicos de solos e climas, adaptação do solo
para o plantio e desenvolvimento de máquinas. Naquele momento, o mundo
estava convencido de que a fome e a desnutrição seriam banidas da face da terra
assim que houvesse um aumento significativo da produção agrícola. A produção
aumentou, mas isso de nada adiantou para a enorme massa de famintos que teimava
em aumentar, contrariando todas as expectativas.
Segundo a FAO, enquanto
842 milhões de pessoas sofrem de fome crônica, característica de uma
insegurança alimentar extrema, muitas outras morrem ou sofrem os efeitos
nocivos de uma nutrição inadequada. Cerca de 2 bilhões de pessoas são afetadas
pela deficiência de micronutrientes, que prejudica a bioquímica do corpo, cerca
de 7 milhões de crianças morrem antes do seu quinto aniversário todo ano e 162
milhões de crianças menores de cinco anos são raquíticas, ou seja, possuem distúrbio
causado pela falta de vitamina D, cálcio ou fosfato, o que causa o amolecimento
e o enfraquecimento dos ossos.
Porém “O fato mais
chocante é que isso acontece apesar do mundo já produzir alimentos suficientes
para todos, e desperdiçar um terço dessa produção”, afirmou o diretor-geral da
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO),
José Graziano da Silva, acrescentando que a quantidade atual de alimentos
desperdiçados é suficiente para alimentar 2 bilhões de pessoas.
Mesmo o Brasil sendo um
país tão vasto, enfrenta problemas na questão agrária devido sua histórica
concentração fundiária, comprovada pelos dados do Censo Agropecuário de 1995/96
que mostram que as propriedades com até dez hectares correspondem à metade do
número total de estabelecimentos mas a apenas 2,3% da área total, enquanto os
estabelecimentos com mais de mil hectares representam 1% do número de
estabelecimentos e 45,1% da área total.
Além disso, o grande
problema brasileiro tem sido creditado à modernização da produção agrícola por
meio da mecanização crescente e do uso intensivo de insumos visando unicamente
à produção para o mercado externo, o que reflete uma sequência de políticas
agrícolas voltadas para o agronegócio. Não é à toa, dizem os especialistas,
que, apesar de tantos problemas, o Brasil desponta como um dos maiores
exportadores de alimentos do mundo e que o setor tem sido responsável pelo
superávit na balança comercial. O problema é que da renda gerada não se promove
a distribuição de renda e não se produz alimentos para os brasileiros. Isso
porque o agronegócio tem a ver com a economia e não com a fome — esclarece Nelson
Delgado, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), afirmando que
é preciso que haja uma mudança radical de modelo de agricultura e de políticas
públicas para o setor, com apoio à produção de alimentos para o mercado interno
e, consequentemente, à agricultura familiar, à agroecologia e à uma tendência
de aumento da segurança alimentar no campo.
"A indústria farmacêutica produz dinheiro". Essa frase do professor Osmar Cardoso pode ser modificada e se inserir perfeitamente no contexto da produção de alimentos: a indústria alimentícia produz dinheiro. Não interessa que parte da população brasileira passe fome, o importante é mandar a produção de grãos e carnes para longe daqui e trazer dólares. A revolução verde conseguiu diminuir a demanda de espaço necessário ao crescimento da produção, conseguindo mais alimentos com um menos terras. Ainda assim as terras, grandes latifúndios, ficam nas mãos de poucos, impossibilitando a sedimentação da agricultura familiar em grande escala.
ResponderExcluirPost relevante, sociocultural e que traz uma bioquímica oculta pelos latifundiários e grandes empresários. O fato é que para entendermos o presente, nós necessitamos conhecer o nosso passado, e portanto, o texto relembra a sucessão de governos que se submeteram ao agronegócio e que estimularam a exportação de alimentos, sem ao menos observar a realidade interna do país, prejudicando o desenvolvimento da agricultura familiar, bem como do pequeno agricultor.
ResponderExcluirPara isso foi que surgiu, dentre vários programas sociais, o bolsa família, que como projeto paliativo, deve existir até a diminuição dos elevados contrastes sociais.
O fato é que, mesmo com a revolução verde e agrícola, ainda existem pessoas que sofrem com a falta de recursos para a alimentação de subsistência. E embora a teoria malthusiana tenha sido tida como irrelevante perante à revolução agrícola, existem pessoas que ainda morrem de desnutrição, seja pela falta do que comer ou pela ausência de nutrientes essenciais em sua alimentação diária, como a proteína da carne ou ainda o ferro, presente no feijão e leguminosas.
Dessa forma, é imprescindível a manutenção dos programas sociais no combate à pobreza, mas com a devida fiscalização e controle do dinheiro repassado para o sustento do núcleo familiar.
A segurança alimentar na zona rural é ameaçada pela mecanização e pelo peso do capitalismo, enquanto que nas cidades e demais núcleos urbanos, a segurança do ato de alimentar-se tem sido posta em cheque pelo crescimento dos "fast food", bem como pelo ritmo fenético de um mercado de trabalho efervescido pela quantidade de produção.
O capitalismo é, pois, fonte de desenvolvimento externo, e retrocesso à identidade biológica e demandas orgânicas.
Muito interessante a postagem. É fato que a revolução verde embora tenha aumentado a produção de alimentos com uso de menos terras não erradicou a fome, isso por uma razão simples: a fome no mundo é consequência de desigualdades sociais e não da pouca produção de alimento. Pessoas pobres têm muito mais dificuldade para ter acesso à alimentos do que as ricas, por isso elas sofrem com a insegurança alimentar. Isso explica também porque em um país vasto como o Brasil milhares passam fome todos os dias. A distribuição extremamente desigual das terras e a produção privilegiando o mercado externo em detrimento do interno levam à isso.
ResponderExcluirFicamos pasmados diante dos dados apresentados por pesquisas que destacam que a fome não é saciada puramente por questões econômicas, quando uma grande parte dos alimentos é desperdiçada ou não chega ao prato próximo da sua produção.
ResponderExcluirA evolução agronômica, conforme destacada, sobretudo pela revolução verde, incremento de máquinas, fertilizantes..., trouxe consigo o esmagamento de pequenas produções que tornam-se não competitivas e improdutivas frente ao vasto mercado, produzindo uma questão social como o desemprego, a concentração de alimentos...
Em outras palavras, famílias que viviam incorporadas pelo pequeno produtor ou cooperativas, terão dificuldade em trazer para o seu prato substratos básicos, como carboidratos, lipídeos, proteínas, vitaminas, que são indispensáveis para a homeostase do organismo.
Grande parte da produção agrícola na atualidade se destina às práticas de monocultura (soja, milho, trigo, etc.) e na maioria das vezes toda a produção é exportada para outros países mais desenvolvidos. No Brasil o problema é ainda maior, tudo bem que se trata de um país mega exportador, mas o problema incide sobre os alimentos que aqui são distribuídos, problemas como transporte, estocagem, impostos, etc. tornam esses alimentos ainda mais caros, isso impossibilita que pessoas em nível de pobreza tenham acesso a alimentos. Isso evidencia o contraste apresentado no texto, onde um país autossuficiente na produção seja incapaz na distribuição e no combate à fome em seu próprio território.
ResponderExcluirEnquanto a ganância humana prevalecer, pode ser desenvolvida a melhor das técnicas agropecuárias, mas a fome ainda vai existir. Isso porque ela existe não pela falta do alimento, mas pela sua não distribuição. O desperdício de alimento gera dinheiro. Sim, por que então mais alimento vai ter que ser produzido e então comprado. E ainda, sofre o pequeno produtor, o lavrador que tenta tirar seu sustento da terra, consumindo da sua própria produção, mas a venda do seu excedente é de enorme dificuldade, por que este é esmagado pela agricultura extensiva, que ainda coloca para nós os piores produtos, enquanto os de ótima qualidade vão para exportação. Exportação que de certo gera renda, mas que esta sendo feita de forma errada, porque se vale da exploração indiscriminada, tanto da terra como da população, para tal. É impressionante como o Brasil é o maior produtor de laranjas de mundo, responsável por 25% da produção, e mesmo assim existem tantas laranjas ruins nos supermercados, e nunca vemos aquelas laranjas lindas que existem nos EUA e Europa. Nossas laranjas.
ResponderExcluirA verdade é essa mesmo, a indústria do agronegócio ajuda apenas a elevar os índices da balança comercial do governo e as pessoas do campo não são beneficiadas porque a produção é altamente mecanizada, pois ela é voltada para o mercado externo. Com isso não há emprego no campo para as famílias. Vale ressaltar que os empresários do agronegócio têm incentivos do governo para a produção, enquanto os pequenos agricultores não possuem tal incentivo e quando há não atende às necessidades. Com isso as famílias passam por dificuldades como produção agrícola familiar inadequada e insuficiente.
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