sábado, 1 de novembro de 2014

Desnutrição: o cume da insegurança alimentar.


A fome e a desnutrição são os indicativos mais extremos de insegurança alimentar.
A desnutrição pode ser definida como uma condição clínica decorrente de uma deficiência ou excesso, relativo ou absoluto, de um ou mais nutrientes essenciais. Esse quadro possui causas primárias, quando a pessoa come pouco ou “mal”, ou seja, tem uma alimentação quantitativa ou qualitativamente insuficiente em calorias e nutrientes fundamentais para o equilíbrio homeostático do corpo; e causas secundárias, quando a ingestão de alimentos não é suficiente porque as necessidades energéticas aumentaram ou por qualquer outro fator não relacionado diretamente ao alimento (exemplos: presença de verminoses, câncer, anorexia, alergias ou intolerâncias alimentares, digestão e absorção deficiente de nutrientes).
A desnutrição leva a uma série de alterações na composição corporal e no funcionamento normal do organismo. Quanto mais grave for o caso, maiores e também mais graves serão as repercussões orgânicas. As principais alterações são:
 
  • ·       Grande perda muscular (devido à deficiência de proteínas e glicogênio) e dos depósitos de gordura, provocando debilidade física.
  • ·         Emagrecimento: peso inferior a 60% ou mais do peso ideal (adultos) ou do peso normal (crianças).
  • ·         Desaceleração, interrupção ou até mesmo involução do crescimento, devido a insuficiência nutricional e, com relação ao crescimento, ao desequilíbrio hormonal (principalmente quanto ao hormônio GH).
  • ·         Alterações psíquicas e psicológicas: a pessoa fica retraída, apática, estática, triste.
  • ·         Alterações de cabelo e de pele: o cabelo perde a cor (fica mais claro), a pele descasca e fica enrugada.
  • ·         Alterações sanguíneas, provocando, dentre elas, a anemia, devido a falta de ferro, por exemplo, o que acarreta uma má oxigenação do corpo.
  • ·         Alterações ósseas, como a má formação e o raquitismo, causado principalmente pela ausência de vitamina D, responsável por fixar o cálcio nos ossos.
  • ·         Alterações no sistema nervoso: estímulos nervosos prejudicados, número de neurônios diminuídos, depressão, apatia.
  • ·         Alterações nos demais órgãos e sistemas respiratório, imunológico (ficando mais sujeita a infecções), renal, cardíaco, hepático, intestinal etc.
  • ·         Sintomas de doenças como beribéri (ausência de tiamina, vitamina B1), pelagra (ausência de niacina, vitamina B3), xeroftalmia (ausência de retinol, vitamina A), escorbuto (ausência de ácido ascórbico, vitamina C).

Com relação à desnutrição infantil, a OMS estima que mais de 20 milhões de crianças nascem com baixo peso a cada ano, cerca de 150 milhões de crianças menores de 5 anos têm baixo peso para a sua idade e 182 milhões (32,5%) têm baixa estatura. A desnutrição é a segunda causa de morte mais frequente em menores de 5 anos nos países em desenvolvimento. Por volta de 56% das mortes de crianças são atribuídas à desnutrição, devido aos efeitos potencializadores das formas moderadas e leves dessa doença.
Cerca de 20 a 30% das crianças gravemente desnutridas vão a óbito durante o tratamento em serviços de saúde de países em desenvolvimento. Essas cifras têm se mantido inalteradas nas últimas 5 décadas e correspondem a um percentual 4 a 6 vezes mais alto que a taxa de 5%, reconhecida como aceitável pela OMS.

O tratamento da desnutrição varia de acordo com a gravidade da doença. Os principais objetivos do tratamento são: recuperar o estado nutricional, normalizar as alterações orgânicas ocasionadas pela desnutrição, promover o crescimento (no caso das crianças) e o ganho de peso.
Existem recomendações gerais que ajudam no tratamento de desnutridos: uma dieta específica para o caso, aliada a uma educação (ou reeducação) alimentar; orientações sobre higiene alimentar e pessoal; e a participação familiar e comunitária nesse processo.
Porém, em recente inquérito realizado em nível mundial, em 79 hospitais, verificou-se que muitos profissionais de saúde têm ideias ultrapassadas e/ou desconhecem a conduta adequada para o tratamento de crianças gravemente desnutridas.
A inadequação do tratamento geralmente resulta da falta de reconhecimento do estado fisiológico alterado e da redução dos mecanismos homeostáticos que ocorrem na desnutrição. As práticas incluem reidratação inadequada levando a sobrecarga e falência cardíaca, falta de reconhecimento de infecções que levam à septicemia e falha em reconhecer a vulnerabilidade das crianças gravemente desnutridas à hipotermia e à hipoglicemia.
A pobreza e a desnutrição, no nosso país, têm reduzido consideravelmente nos últimos anos, em decorrência inclusive de programas de auxilio como o Bolsa Família, tratado na postagem anterior. Mas ainda há quantidades consideráveis de pessoas desnutridas no Brasil, o que indica que novas medidas devem ser tomadas. Além disso, torna-se necessário uma melhor formação dos profissionais de saúde para melhor tratar pacientes em situação de desnutrição, especialmente às crianças.

8 comentários:

  1. De fato a desnutrição é um problema muito grave, que traz uma serie de alterações na composição corporal e no funcionamento normal do organismo, devido a falta de moléculas necessárias ao funcionamento normal do organismo. Essa doença é muito comum nas regiões mais pobres do país, principalmente na região Nordeste do Brasil, onde a pobreza é agravada pelo clima extremamente seco da região. Entretanto, principalmente devido aos programas de ajuda social, como o Bolsa família, tem-se conseguido diminuir a ocorrência da desnutrição infantil no país, sendo que Brasil atingiu a meta estabelecida pela ONU no primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – Erradicar a Extrema Pobreza e a Fome.
    FONTE: http://g1.globo.com/brasil/noticia/2010/12/brasil-atingiu-meta-da-onu-para-desnutricao-infantil-diz-governo.html

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  2. A desnutrição é um mal que atinge parte da humanidade, sendo relacionado principalmente com a pobreza, ele também pode ocorrer por causa de uma alimentação sem qualidade, a qual falta substâncias essenciais ao organismo. Uma das consequências da desnutrição, com falado, é a fraqueza e perda muscular: isso se dá pois as reservas de carboidrato, preferencial na produção energética, já se esvaíram, e o organismo passa a quebrar lipídios e proteínas para suprir essa falta. Como o corpo não possui reservas de proteínas elas são retiradas de onde são constituintes, no caso, o músculo.
    Outro ponto a ser tratado é o despreparo no trato com desnutridos. Na reidratação, da qual o texto faz referência, pode haver erros, visto que em casos de desidratação não só água é recomendado, mas sim um soro, por esse ser aproximado da composição do plasma sanguíneo, isso ajuda a água a penetrar nas células e não invadir o interstício causando edemas.

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  4. A desnutrição é um dos males provenientes da vulnerabilidade socioeconômica, fruto da má distribuição de renda no país, e que reflete a falta de nutrição diária básica. Tem uma evolução que se dá pela perda das reservas energéticas do corpo, e posteriormente, atrofia muscular; uma vez que são utilizadas as fontes de carboidratos, lipídeos, e por último, proteínas.
    Os programas sociais têm mudado a realidade do país, mas ainda enfrentamos problemas como esses, principalmente nas periferias das grandes cidades e na zona rural. O dinheiro fornecido pelo governo tem proporcionado o desenvolvimento da agricultura familiar e da criação de animais no interior, assim como a compra de alimentos básicos para a nutrição familiar nas cidades, o que garante o desenvolvimento de funções orgânicas básicas, e portanto, a realização de atividades normais, como o próprio trabalho.
    É necessária uma postura diferenciada dos agentes em saúde diante destes pacientes, sobretudo pelo fato de que a administração de doses normais de medicamentos podem desencadear intoxicações, principalmente pelo fato de que desnutridos não possuem uma concentração normal de proteínas, e portanto, a droga ficará circulando no sangue. Além disso, a baixa concentração de proteínas propiciará a saída de água dos vasos para os tecidos (osmose), gerando edemas.
    Recentemente, surgiram pesquisas que associam ainda a desnutrição a problemas familiares e de relacionamentos interpessoais com as crianças. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), mais de 200 milhões de crianças menores de cinco anos não atingem seu potencial de desenvolvimento humano. Dentre os fatores responsáveis por isso, estão a desnutrição crônica e uma estimulação cognitiva inadequada, cujas causas estão relacionadas não só à carência alimentar, mas também aos fatores psicossociais, como os transtornos emocionais maternos e a exposição à violência.
    É imprescindível o fortalecimento da atenção básica para a conscientização das famílias sobre a nutrição adequada, bem como as formas de reidratação e reposição de nutrientes.

    FONTE:
    http://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/11/emocoes-afetam-bnutricao-da-criancab.html

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  5. A desnutrição representa uma condição decorrente da falta extrema de nutrientes indispensáveis ao metabolismo do organismo em condições normais e está amplamente relacionado à vulnerabilidade socioeconômica de uma população, destacando-se entre as crianças, pois indivíduos desnutridos não chegam a fase adulta.
    Estudo realizado em São Paulo, indica que a desnutrição está presente também em pacientes submetidos à hemodiálise, e é indispensável um acompanhamento bioquímico destes indivíduos para melhorar a qualidade de vida destes indivíduos.
    Em ambas as situações, indivíduos desnutridos apresentam os valores séricos de ureia pré- e pós-diálise, fósforo, creatinina, potássio, cálcio e hemoglobina mensurados bioquimicamente, muito inferiores ao normal, permitindo uma análise que faltam não apenas substâncias decorrentes de macromoléculas, mas outras substâncias básicas para a homeostase orgânica.
    O Ministério de Desenvolvimento Sustentável possui diversos projetos públicos visando a minimização da desnutrição como os restaurantes populares, cozinhas comunitárias, bancos de alimentos, programa nacional de fortalecimento da agricultura familiar dentre outros, que visam um incremento nutricional na mesa das famílias vulneváveis.

    FONTE:
    CASTRO, Manuel Carlos Martins de et al . Importância da avaliação bioquímica mensal na triagem de pacientes com desnutrição em hemodiálise. J. Bras. Nefrol., São Paulo , v. 32, n. 4, Dec. 2010 . Available from . access on 07 Nov. 2014

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  6. Percebe-se pelo texto que tanto a desnutrição como falta da recuperação dos desnutridos acontece por motivos não tão óbvios assim. Por mais que se tenha alimentos suficientes para toda a população, estes são desperdiçados, já que na sociedade capitalista o que vale é poder de compra, enquanto muitos perecem em desnutrição. No entanto, mesmo que se invista recursos materiais para o combate a desnutrição, boa parte dos profissionais são muito pouco capacitados para lidar com esse problema de atenção básica, cometendo erros grosseiros e gerando até o agravamento da condição do paciente.
    Porém, a desnutrição não ocorre apenas pela falta de alimento em si, mas pelo tipo de alimentação. Hoje em dia é muito mais fácil financeiramente manter uma dieta rica em carboidratos, do que a manutenção dos níveis corretos de proteína. Quando essa situação é agravada, ou prolongada, pode-se acarretar em uma doença denominada kwashiorkor, em que a pessoa fica franzina e com um abdome dilatado, mas em muitos casos, principalmente no início, apresenta uma falsa imagem de estar bem alimentada. Apresenta ressecamento de pele, perda da coloração do cabelo, hepatomegalia, dentre outros sintomas.
    Fonte: http://puersocialisbq.blogspot.com.br/

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  7. Certos relatos não chegam a ser tão assustadores e frustrantes como uma imagem, apesar de toda descrição contida no texto, a imagem de uma criança em tal situação ilustra e sintetiza tão absurdo quadro que aparenta a morte iminente, denominado desnutrição, com relação ao quadro clínico que foi tão bem explicitado no texto, não é má alimentação e sim a ausência dela que provoca tão doloroso estado de degradação corporal completa pelo fato de não haver o combustível essencial a vida, diferentemente da maioria das patologias, que são causadas por organismos parasitários, microscópicos ou genéticos, a desnutrição é decorrente uma síndrome não tão rara em humanos, a síndrome do descaso , recorrente desde sempre, ao fecharmos os olhos a isso,como conceber que indivíduos tenham morte lenta e dolorosa, enquanto o desperdício reina em países desenvolvidos, o quão absurdo é a um médico observar um paciente com falência cardíaca devido a obesidade, enquanto no leito ao lado o coração aporta por deficiência nutricional, isso implica diretamente na vida e desenvolvimento do indivíduo, quem passa por isso não tem recuperação completa, visto que afeta diretamente o desenvolvimento físico, e certamente psicológico. Esse estado de abandono do ser, deve ser evitado, a qualquer custo, no Brasil existem projetos que fornecem o básico a alimentação, como o tão debatido fome-zero, do qual o programa bolsa família faz parte, e milhares de “bandeijões” espalhados Brasil afora, método adorável, e que traz as pessoas que vivem assombradas pelo fantasma da miséria e da fome, soluções praticas a curto prazo, afinal de contas, teremos fome ontem, hoje e amanhã, e até quando a sede pela vida for saciada.

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  8. A questão da desnutrição infantil comumente é vista sob uma ótica reducionista ligada apenas à questão alimentar e, partindo disso, a atuação restringe-se ao controle de peso e à prescrição de mudança nos hábitos alimentares. Nota-se que há uma tendência a homogeneizar a pobreza, as pessoas e as situações de vida em que elas vivem; bem como de formular propostas de atuação sobre as classes sociais, as quais são operacionalizadas com base nas questões de renda e educação da população, como se estas fossem variáveis estanques e fáceis de mensurar. As deficiências alimentares e nutricionais representam o maior desafio que se coloca para a saúde pública brasileira na atualidade. Suas repercussões sobre a saúde coletiva encerram complexas implicações, especialmente quando se considera que as crianças são os alvos preferidos das adversidades sociais.

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