sábado, 18 de outubro de 2014

Contribuição da Alimentação Escolar para a Segurança Alimentar



As recomendações da Organização Mundial da Saúde, observadas em nosso país, apontam para a importância de uma alimentação nutricionalmente equilibrada para o bom funcionamento bioquímico do corpo, visando entre outros, diminuir a incidência de doenças relacionadas a uma má alimentação, como a desnutrição e a obesidade.
Deste modo, no período escolar, a alimentação realizada através da merenda escolar, deve suprir as necessidades nutricionais dos alunos e facilitar a adoção de práticas alimentares, promotoras da saúde, pois sabe-se que os hábitos alimentares iniciados durante a infância tendem a perpetuar durante toda vida adulta.
Pensando nisso foi desenvolvido o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), implantado em 1955, que contribui para o crescimento, o desenvolvimento, a aprendizagem, o rendimento escolar dos estudantes e a formação de hábitos alimentares saudáveis, por meio da oferta da alimentação escolar e de ações de educação alimentar e nutricional.
São atendidos pelo Programa os alunos de toda a educação básica (educação infantil, ensino fundamental, ensino médio e educação de jovens e adultos) matriculados em escolas públicas, filantrópicas e em entidades comunitárias (conveniadas com o poder público),  por meio da transferência de recursos financeiros.
O orçamento do Programa para 2014 é de R$ 3,5 bilhões, para beneficiar 43 milhões de estudantes da educação básica e de jovens e adultos. Com a Lei nº 11.947, de 16/6/2009, 30% desse valor – ou seja, R$ 1,05 bilhão – deve ser investido na compra direta de produtos da agricultura familiar, estimulando o desenvolvimento econômico e sustentável das comunidades, medida interessantíssima que, inclusive, se relaciona com o tema da postagem anterior.
Entretanto, alunos de escolas públicas e privadas não se alimentam da mesma forma. Alunos de escolas privadas consomem mais leite, sucos naturais e hortaliças, o que é bom. Porém, ingerem mais óleo, gorduras, refrigerantes, salgados e biscoitos recheados, ou seja, bioquimicamente falando sua dieta é mais rica em gorduras saturadas e açúcares, o que favorece o desenvolvimento de Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT) tais como: hipertensão, diabetes mellitus tipo 2 (relacionada a graus variados de diminuição de secreção e resistência à insulina), doenças cardiovasculares, alterações do perfil lipídico e câncer. Por outro lado, alunos de escolas públicas, apesar do PNAE, tiveram baixa ingestão de energia, gorduras e vitamina A. Isso ocorre não por ineficiência do programa mas devido a falta de alimentos (ou de alimentos adequados) no ambiente domiciliar, o que se enquadra em um quadro de insegurança alimentar e que pode resultar em desnutrição e doenças causadas por deficiências de micronutrientes.
A Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009 do IBGE confirmou que no Brasil, há uma estreita associação entre a renda familiar e o estado nutricional das crianças. A prevalência de desnutrição encontrada atualmente é reduzida em todas as regiões brasileiras (4%), na faixa etária de 5 a 9 anos.
A redução na prevalência dos déficits de desnutrição e a ocorrência mais expressiva de sobrepeso e obesidade em todas as faixas etárias, inclusive as crianças e adolescentes, compõem o novo perfil nutricional no Brasil, um fenômeno chamado de “transição nutricional”.
Desta forma, busca-se que a alimentação do escolar seja pautada na Segurança Alimentar e Nutricional, que propõe a alimentação adequada como direito fundamental do ser humano, visa fomentar bons hábitos alimentares e fornecer os nutrientes necessários a saúde infantil de forma a garantir um bom desenvolvimento mental e intelectual da criança.

 Fontes:


8 comentários:

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  2. Se a infância é o período de se aprender os bons modos, os princípios e os bons costumes, então, necessário é que as crianças tenham um cardápio o mais saudável possível, pois, adquirindo hábitos saudáveis quando criança, muito maiores são as chances desta criança se tornar um adulto saudável.
    É de realce a diferença que se tem entre cardápios de escolas privadas e públicas. Se por um lado aquelas possuem um menu gorduroso e açucarado, causando uma propensão à doenças relacionadas ao acúmulos destas moléculas; por outro essas pouco dispõe nos seus alimentos de nutrientes muito importantes, como a vitamina A. Mesmo com a existência do PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) os nutrientes são insuficientes, visto que não são ingeridos comumente nos lares de mais baixa renda.

    Já que se tocou no ponto de comida e educação: como comem os jovens? Ou melhor, qual a qualidade nutricional e bioquímica do que se come no RU?

    "Apesar dos pratos com nomes duvidosos e, muitas vezes, não identificáveis, a escolha da comida do RU busca sempre atender a necessidades nutritivas do organismo". (http://jpress.jornalismojunior.com.br/2014/02/bandejao-debate-custo-qualidade/) Como pode-se ver o RU sempre busca atender nutricionalmente o corpo e o cardápio é elaborado por nutricionistas, além do preço ser uma delícia.
    A alimentação escolar em crianças e jovens são bem supridas pelo governo, tendo em vista sempre o foco na segurança alimentar quer no espaço rural quer no urbano, seja com jovens, seja com crianças.

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  3. Sempre que se fala em alimentação observa-se a presença dos termos “desnutrição” e “obesidade”, as orientações da OMS estão corretas, a alimentação equilibrada contribui sim para o desenvolvimento do organismo, mas a questão a ser discutida é: países como o Brasil conseguem implantar práticas de educação alimentar satisfatórias desde a infância? Para mim a resposta seria não, e não tão difícil perceber o porquê, basta fazer visitas às escolas públicas mal administradas que certamente existem, a maioria delas oferta às crianças um lanche pobre em termos nutritivos, onde alguns produtos são industrializados e contém conservantes, sem contar que a falta de merenda escolar é quase sempre constante. Por outro lado, o ritmo frenético das grandes cidades e a mania de copiar hábitos estrangeiros faz com que haja uma substituição do alimento tradicional por aquele mais calórico, mais delicioso, mais rápido. Os riscos são ignorados, e os motivos pra que isso aconteçam são simples, faltam políticas educacionais mais eficientes, falta fiscalização na distribuição dos recursos para a merenda escolar e falta a nós o exercício da conscientização.

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  5. No Brasil, as grandes disparidades econômicas existentes fazem com que a maioria das classes media e alta prefiram estudar em escolas privadas, enquanto que os mais pobres ficam com as escolar públicas. Principalmente devido à falta de investimentos por parte do governo, a infraestrutura das escolas privadas costuma ser muito melhor que a das publicas, por isso os alunos das particulares tem uma alimentação mais completa, embora mais gordurosa também ( o que aumenta o risco de ter DCNT como você comentou). Além disso, os alimentos fornecidos pelo Pnae para as escolas publicas são muito importantes, porém só nutrem os alunos enquanto estes estão na escola, sendo que o principal responsável por doenças como a desnutrição é a má alimentação domiciliar. Isso pois as famílias mais pobres tem mais dificuldades de ter acesso a alimentos em vista de sua condição monetária exígua. Assim é importante que a população não cobre do governo apenas melhorias em educação, mas também na infraestrutura alimentar domiciliar das camadas mais pobres com o intuito de se evitar o quadro da insegurança alimentar.

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  6. De fato, o poder público possui uma missão muito importante no desenvolvimento de política públicas que favoreçam o desenvolvimento das crianças, principalmente no período escolar.
    A oferta de alimentação em escolas públicas, bem como universidades, é uma forma de se tentar barrar a evasão escolar, além de propiciar a plena educação integral, principalmente de pessoas que vivem em estado de vulnerabilidade sócio-econômica.
    No entanto, existem escolas que não recebem a devida verba do poder municipal/estadual/federal, rompendo com a efetividade da legislação, seja por desvio de dinheiro, ou ainda pela ingerência de instâncias, inclusive da direção escolar.
    Como se é sabido, a escola fornece uma educação secundária, e como educadora e formadora de opinião, a mesma possui uma grande responsabilidade social e de saúde pública ao fornecer alimentos saudáveis para essas crianças, que crescerão tendo parâmetros de alimentação saudável, através do aproveitamento equilibrado de nutrientes (proteínas, lipídeos, carboidratos, sais minerais e vitaminas), atentando-se a casos especiais, como crianças que estejam em situação de risco (uma responsabilidade social dos educadores de identificar tais ocasiões), encaminhando-as para serviço médico/psicológico.
    A outra vertente da educação brasileira é a escola privada, que muitas das vezes, possui uma lanchonete anexa, e que costumeiramente, não oferece refeições saudáveis, mas bebidas calóricas e lanches processados industrialmente, o que se caracteriza como risco para a saúde pública, uma vez que estudantes passam anos em sua educação básica, o que poderá refletir em aspectos negativos para a sua própria saúde, como doenças crônico-degenerativas ou problemas cardiovasculares.
    Utiliza-se como um dos parâmetros de saúde a avaliação dos índices de LDL (lipoproteína de baixa densidade - deposita-se mais facilmente ao longo das paredes arteriais), que vem do colesterol e o seu aumento orgânico está relacionado com a ingestão desregrada de alimentos calóricos; e o HDL (lipoproteína de alta densidade) ou colesterol bom, indício de alimentação saudável e da prática esportiva.
    O contraste alimentar, portanto, evidencia a necessidade de diálogo entre as secretarias municipais de saúde e educação com os gestores escolares, incutindo-se a necessidade da viabilização de lanches saudáveis e nutritivos dentro dos espaços escolares, e discutindo-se a possibilidade de medidas anti-impactos como as práticas esportivas, o que já vem ocorrendo em projetos de educação integral.

    REFERÊNCIAS

    SAVOIA, Rafael Pedroza. Importância da merenda escolar no desenvolvimento
    físico e congnitivo durante a aula de Educação Física.
    Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd137/importancia-da-merenda-escolar.htm Acesso em: 22 de out. 2014

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  7. A expressão "saco vazio não para em pé", logicamente tem fundamento cientifico, e o no seu conceito mais básico, sem uma alimentação adequada, o corpo não consegue desenvolver-se e manter-se funcionando corretamente, correlacionando ao objetivo da postagem de sintetizar que a alimentação fornecida no ambiente escolar e de enorme importância, pois permite que o aluno não seja privado de uma alimentação de qualidade, como dito existem programas governamentais para que a merenda escolar seja fornecida de forma gratuita na escola, para que o estudante possa se manter ativo e estudando, por conta da ineficiência na fiscalização, nem sempre isso acontece, os maiores desvios de verba, ocorrem justamente de onde deveria ser intocável, é desumano, o governante permitir que crianças se alimentem somente de iogurte, como se vê em grande parte das escolas. É a partir do alimento, que a criança, um ser em construção, se desenvolve fisicamente, é sabido que período de subnutrição ou desnutrição interferem diretamente no processo de crescimento ósseo, freando esse processo, a má alimentação também interfere diretamente no aprendizado, para manter a mente em condições de assimilar novas informações, é necessária energia. Portanto é necessário maior controle por partes dos componentes fiscalizadores do estado, para evitar que a população que se vê a dependência dos serviços públicos, não seja mais uma vez atacada, onde mais dói, na vida das nossas crianças!

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  8. A alimentação pode ser considerada o pontapé inicial para uma série de reações que vão garantir ao organismo substratos e/ou percussores de substâncias indispensáveis.
    Diga-se de passagem, uma alimentação saudável e balanceada é mais cara e diferencia que uma alimentação aleatória, e nem todos os estratos sociais apresentam o mesmo poder aquisitivo, e indivíduos vulneráveis socio-financeiramente enquandram-se na base da pirâmide. Não me refiro apenas as famílias que possuem todas as refeições, mas de forma especial, as famílias que não tem alimento básico em uma das refeições e a escola (educação) oferecida pelo estado torna-se algo especial, pois garante à criança, adolescente e/ou jovem, uma refeição que supra algo mínimo de sua necessidade metabólica.
    Carboidratos, Lipídeos, Proteínas e Vitaminas, podem ser produzidas pelo nosso organismo ou não, e a alimentação representa a porta de entrada para fundamental para a captura de substância que não produzimos especialmente, assim o balanceamento da alimentação torna-se imprescindível...

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