quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Conceituando Insegurança Alimentar




De acordo com a FAO, Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, segurança alimentar existe quando todas as pessoas, todo tempo, tem acesso físico e econômico para alimentação nutritiva, saudável e em quantidade suficiente para atender suas necessidades e preferências para uma vida ativa e saudável. A insegurança alimentar seria, portanto, a situação antagônica a essa definição e, infelizmente, abrange cerca de 800 milhões de pessoas em todo o mundo.
A segurança alimentar foi o fator crítico na evolução inicial da espécie humana e no posterior desenvolvimento das civilizações. Para um clã, uma tribo ou um povo primitivo, obter alimento em quantidade suficiente equivalia a assegurar a sobrevivência coletiva. A partir do desenvolvimento da agricultura, a um ritmo cada vez mais rápido em comparação com as fases anteriores, o ser humano foi ampliando sua inteligência aplicada e seu acervo de conhecimentos para aprimorar a produção de alimentos.
www.iea.sp.gov.br
Porém, mesmo com as tecnologias disponíveis na atualidade, há fatores que influenciam a produção e o preço dos alimentos, como o aumento de plantações para uso em biocombustíveis, os preços do petróleo em mais de US$100 o barril, o crescimento da população, as mudanças climáticas, a perda de terras agrícolas para desenvolvimentos residenciais e industriais; além de fatores socioeconômicos que delimitam o acesso aos alimentos.

A maioria das famílias em condição de insegurança alimentar gasta cerca de 68,0% da renda com despesas em alimentação e consome diariamente apenas cereais, óleo, açúcar e feijão, ou seja, apresentam dieta monótona e basicamente composta por alimentos energéticos. Entretanto, mesmo nas famílias em condição de segurança alimentar, possuir condição de acesso ao alimento não garante a adequação qualitativa da dieta. Sendo assim, essas dietas desreguladas implicam por consequência em um desequilíbrio bioquímico do corpo, já que interfere nos processos químicos essenciais para a manutenção saudável da vida.

9 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. A segurança alimentar é uma realidade distante do atual cenário mundial. A fome assola grande parte do globo . A desnutrição é outro grande problema já que está não está relacionada apenas à falta de alimentos, mas também à falta de nutrientes específicos, a desnutrição proteica, por exemplo.
    O outro extremo, o das pessoas que têm acesso físico e financeiro ao alimento, não está livre da insegurança alimentar. Mesmo tendo acesso à comida, não possuem uma alimentação saudável e tampouco nutritiva.
    Há, ainda, a questão da produção alimentícia, se é uma falta de produção ou uma má distribuição. Aguardo as próximas postagens para saber mais sobre a segurança alimentar

    ResponderExcluir
  3. O que achei mais interessante nessa postagem foi o fato de ninguém estar livre da insegurança alimentar. Tantos os pobres, que sofrem devido a falta de alimentos, quanto os ricos, que não têm alimentação saudável e equilibrada, estão a sua mercê.
    Você também comentou que muitas famílias que sofrem com insegurança alimentar gastam maior parte da renda com alimentos. Vale destacar que isso se deve a grande concentração da produção de alimentos existente no mundo hoje. Poucos países produzem a maior parte dos alimentos do globo e levá-los ate áreas distantes acaba por elevar o preço dos mesmos, desfavorecendo assim a população mais pobre, que tem acesso aos alimentos dificultado.

    ResponderExcluir
  4. Muito interessante o post! A segurança alimentar como garantia física e econômica da nutrição familiar é um item de prioridade do governo. Sobretudo, pelo fato de que a nutrição diária é imprescindível; e sem a mesma, grupos familiares podem ser encaixados em grupos de risco, uma vez que a vulnerabilidade social e financeira, causa da falta do prato de comida, propiciará a desnutrição de trabalhadores e cidadãos, violando-se, pois, um direito de amparo constitucional.
    É evidente que o modelo capitalista tem tirado o prato de comida de muitos cidadãos brasileiros e ao redor do mundo, seja no campo ou na cidade, através da mecanização, da concorrência desleal e da monopolização dos espaços agrícolas, dificultando, por exemplo, o trabalho dos pequenos agricultores.
    Não obstante, a nutrição irregular ou a carência desta reflete-se em sérios problemas de saúde pública, como a própria desnutrição, ou ainda doenças relacionadas a ausência de nutrientes essenciais para a homeostase, como as vitaminas.
    Um exemplo disso é o homem da cidade, que mesmo (teoricamente) em estado de segurança alimentar, pode ter carência de sais minerais, como o cálcio; ou ainda de vitaminas, como a C.
    Segurança alimentar no campo ou no espaço urbano é a garantia física e financeira de uma alimentação diária e equilibrada, rompendo com os determinismos sociais, econômicos ou geográficos, e claro, com os vícios pelos "nutrientes prontos"!

    ResponderExcluir
  5. Alimentação e qualidade de vida sempre serão temas de intensa discussão, no que diz respeito aos aspectos qualitativos da alimentação, não é novidade a ideia de priorização da diversidade, mas o comum mesmo é o que se observa em uma das descrições do texto: “dieta monótona”. Para muitos a quantidade ainda é mais importante do que a qualidade, e em longo prazo isso pode ser determinante para se ter ou não uma vida saudável. No Brasil, infelizmente, muito se produz, mas nem todos usufruem do que é produzido, o resultado é a presença de milhões de pessoas, pobres ou ricas, em notável condição de insegurança alimentar em meio a uma grande produção de alimentos orgânicos variados.

    ResponderExcluir
  6. A qualidade da alimentação é um tema que sempre gera discussões pois não está atrelado apenas a determinismos econômicos, mas também a forma como se dá, isto é, se a alimentação supre as necessidades do organismo de forma a manter a sua homeostase. Parafraseando "você o que você come", lembramos que nós somos constituídos por tudo aquilo que comemos, e isso nos provoca a pergunta, e quem não pode se alimentar, ou se alimenta mal?
    É lógico que isso acarretará em efeitos, digamos desastrosos para o organismo, a insegurança alimentar é justamente a causa de inúmeros males, não é a toa, que um bom médico na sua análise clinica deve conhecer bem a alimentação do seu paciente, e assim consegue diagnosticar com exatidão, as vezes, sem a necessidade de exames complexos. A má alimentação é um problema de saúde pública e merece a devida atenção por parte de governos, que devem investir na distribuição adequada dos alimentos, pois a produção é mais do que suficiente para atender de maneira adequada toda a população.
    Estou curioso sobre as próximas postagens. Aguardo.

    ResponderExcluir
  7. Segundo a Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional, por Segurança Alimentar e Nutricional - SAN entende-se a realização do direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis.
    No último século, o principal problema combatido pelo Ministério de Desenvolvimento Social (MDS) era a desnutrição que assolava grande parte da população vulnerável, porém atualmente a principal problemática abordada é a alimentação desequilibrada, que não atende as necessidades nutricionais do indivíduo, principalmente pela ingestão de açucares refinados e gorduras, ocasionada pelo consumo de fast food, self-selvice...
    Neste cenário, percebe-se que o acesso à alimentação foi facilitado, pois o que antes não chegava ao prato do indivíduo, hoje chega, porém de uma forma indiscriminada não atendendo as reais necessidades nutricionais. Então é de extrema importância o balanceamento adequado do cardápio, atendendo às demandas nutricionais e metabólicas do paciente.

    ResponderExcluir
  8. É um choque perceber como mesmo com uma agropecuária tão desenvolvida, e tantos desperdícios alimentares, ainda existem 800 milhões de pessoas no mundo em situação de insegurança alimentar.
    Os fatores vão muito além dos climáticos, e da produção em si, mas existe toda uma situação financeira, que para o nosso modelo de sociedade importa mais do que o bem estar das pessoas. Ainda, essa dieta baseada em carboidratos, com falta de proteínas e vitaminas necessárias, prejudica desenvolvimento corporal e intelectual, contribuindo para a dificuldade de superação familiar. Parabéns, espero os próximos posts!

    ResponderExcluir
  9. Post muito bom, mostrando que a insegurança alimentar atinge tantas pessoas no mundo, cerca de 800 milhões.
    Sabe-se que a produção de alimentos é suficiente para alimentar o triplo da população mundial e ainda assim muitas pessoas são privadas de uma alimentação adequada e saudável. Ainda há àquelas pessoas quem tem acesso ao alimento, mas de forma não balanceada. Esse tema é interessante e importante para uma boa reflexão.

    ResponderExcluir