De acordo com
a Fundação Nacional do Índio
(Funai), a população indígena
no Brasil é de aproximadamente 460 mil índios, distribuídos em 225 sociedades,
o que representa 0,25% da população
brasileira. Há ainda estimativas de que existam 190 mil indígenas vivendo fora de
suas terras. Cerca de 180 línguas são
faladas por esses povos.
Os povos indígenas dedicam grande parte do seu
tempo em atividades relacionadas à alimentação, pois faz parte de sua cultura
se alimentar apenas de alimentos que a tribo cultiva e que conhece a origem. Sendo
assim, é preciso obter ou produzir os alimentos: criar animais, como galinhas e
porcos; realizar expedições de caça e de pesca; coletar frutos no mato;
preparar a roça e colher seus produtos. E além de produzir o alimento, também é
preciso construir as ferramentas e os utensílios como armadilhas, canoas,
cestos, arcos e flechas, zarabatanas, entre outros, necessários para realizar
as tarefas.
Estudos acadêmicos, em geral realizados a partir
da década de 90, apontaram para elevadas prevalências de déficits de
crescimento físico e de anemia nas crianças indígenas, bastante
superiores às médias nacionais, como pode ser observado na tabela a seguir:
Esse quadro evidencia uma situação de insegurança
alimentar em diversas tribos indígenas no país. Além disso, as informações
existentes sobre as condições de saúde dos grupos indígenas revelavam
coeficientes de mortalidade infantil superiores e esperança de vida ao nascer
inferiores às médias nacionais, elevadas prevalências de doenças
infecto-parasitárias, carências de micronutrientes, precárias condições
ambientais das aldeias, redução da diversidade de alimentos e deficiência na
qualidade da atenção à saúde. Tais dados seriam sugestivos de que os
elevados déficits nutricionais encontrados relacionam-se efetivamente com
condições de saúde e nutrição inadequadas em comunidades indígenas.
Essa realidade chegou a nível tal que, em 2001, 12
crianças indígenas morreram na Reserva de Guarita, no Rio Grande do Sul, tendo
a desnutrição como causa associada de óbito. Esse caso destacou a situação de
vulnerabilidade das crianças indígenas no país, e teve tamanha repercussão que
foi levado pelo Conselho de Saúde do DSEI Interior Sul, com o apoio da
coordenadora da Comissão Intersetorial de Saúde Indígena (CISI) do Conselho
Nacional de Saúde, para discussão no âmbito da Presidência da Funasa em abril
de 2001.
O Ministério Público Federal (MPF), por meio da
Procuradoria da República no Rio Grande do Sul, convocou uma audiência civil
pública para discutir o caso. Essa audiência, que ocorreu em setembro de 2002,
contou com a participação de instituições federais (como Funasa e Funai) e
secretarias estaduais e municipais do RS, além de lideranças indígenas, o que
resultou na instauração de um Inquérito Civil Público (ICP número 06/2002,
MPF/RS).
O documento elaborado pelo MS sobre a Política
Nacional de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas (BRASIL, 2000) já descrevia
alguns dos principais desafios do subsistema, como a precariedade de informações
sobre a situação de saúde dos povos indígenas e a elevada morbidade decorrente
de infecções respiratórias e gastrointestinais, malária, tuberculose, doenças
sexualmente transmissíveis e desnutrição em crianças.
O Inquerito originou a Ação 6140 (Promoção da
Segurança Alimentar e Nutricional dos Povos Indígenas) no Plano Plurianual do
Governo Federal (PPA) de 2004-2007. Os recursos alocados para esta ação foram
de R$ 2.700.000,00 no primeiro ano do PPA, tendo experimentado um acréscimo de
81% no último. Para além da questão indígena em particular, esse planejamento
fez parte das orientações estratégicas do PPA do governo federal em relação à
promoção da segurança alimentar e nutricional para a população brasileira em
geral, havendo uma adesão dos gestores da saúde indígena à agenda governamental
mais ampla.
Exemplo disso foi o Encontro das Mulheres
Indígenas no dia 13/11/2013, representantes de 28 etnias no Palácio do
Planalto, em Brasília (DF). Esse encontro resultou em uma carta ao governo federal
com propostas resultantes do debate promovido durante o 1º Seminário de
Mulheres Indígenas e Segurança Alimentar e Nutricional.
De acordo com o texto, “é fundamental desenvolver
políticas que preservem e estimulem os saberes milenares voltadas para o
etnodesenvolvimento e que fortaleçam a liderança das mulheres. Segurança
alimentar é um conjunto interligado, por isso devemos discutir todos os pontos:
território, saúde, educação, hábitos alimentares e a qualidade dos alimentos”. Destacaram-se,
também, pontos como a demarcação e homologação das terras indígenas em processo
de regularização, a garantia de proteção e gestão ambiental nos territórios e o
fortalecimento da Funai, com garantia de orçamento e número suficiente de
técnicos capacitados para atendimento dos indígenas. O texto também ressaltou a
necessidade de garantir um mercado institucional para que o Programa Nacional
de Alimentação Escolar (PNAE) que inclua alimentos de uso cultural, bem como a
manutenção e o acesso às sementes para possibilitar o cultivo de variedades
tradicionais de alimentos.
O MDS já
investiu mais de R$ 11 milhões em
projetos desenvolvidos por instituições indígenas ou indigenistas, desde
2004. Apoio a implantação de hortas comunitárias, agricultura de subsistência, criação de animais, artesanato e construção de equipamento de alimentação são alguns exemplos. Cerca de 15 mil famílias já foram beneficiadas em 16 estados brasileiros.
Porém, a precariedade de informações constituiu fator limitante para o reconhecimento pelas agências governamentais da necessidade de políticas públicas para enfrentar tais problemas. Sendo assim, muito mais ainda precisa ser feito para mudar essa realidade de insegurança alimentar nas aldeias indígenas do nosso Brasil.
Porém, a precariedade de informações constituiu fator limitante para o reconhecimento pelas agências governamentais da necessidade de políticas públicas para enfrentar tais problemas. Sendo assim, muito mais ainda precisa ser feito para mudar essa realidade de insegurança alimentar nas aldeias indígenas do nosso Brasil.
Fontes:







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